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Dia da Mulher: Empoderamento é palavra de ordem
8 de março de 2016 - 11:16, por Marcos Peris
Por Tanuza Oliveira
A maioria dos dicionários tradicionais nem traz a palavra ainda, mas empoderar virou um dos verbos mais conjugados no vocabulário feminino. Nos dicionários informais, que geralmente são on-line e mais atualizados, o verbete significa “a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais”.
No cenário feminino, virou, de fato, conceito motivador de transformação social. No Coletivo Mulheres de Aracaju, por exemplo, o termo é um lema. Trinta mulheres fazem parte do Coletivo e trabalham, diariamente, as problemáticas que permeiam o universo feminino.
“O coletivo trabalha com formação, seja com debates ou audiência públicas. Mas há uma série de pautas desde 2012. Começamos a luta contra a violência, pelo número de mortes e de outras violências cotidianas, mas outros temas foram agregados”, conta Franciele Gazola, uma das integrantes do Coletivo.
Essas pautas compreendem desde a saúde, principalmente no que diz respeito ao aborto – que vitima milhares delas a cada ano, segundo a Organização das Nações Unidas –, até o assédio, a desigualdade social e no mercado de trabalho, os projetos de lei e a própria sexualidade.
“O objetivo é mobilizar, trazer à tona esse debate, aglutinar mulheres – e homens também –, cobrar do poder público e contribuir com outros movimentos”, ressalta Franciele. Josineide Dantas também faz parte do Coletivo e, para ela, não há o que comemorar nesse dia 8. “Podemos falar em avanços nas lutas por direitos, conscientização e respeito apenas”, justifica Josineide.
Isso porque, para ela, a mulher ainda não desconstruiu a ideia machista de que é o sexo frágil. “Hoje, estamos mais atentas e o tempo todo na linha de enfrentamento para vencer o preconceito dessa fragilidade criada para o homem oprimir a mulher e a colocar no lugar de inferioridade.
O Coletivo Mulheres de Aracaju vem dialogando em diversas comunidades e organizando vivências com o propósito de somar e compartilhar saberes. “Nessas oficinas, mostramos que somos uma só, independentemente de idade, classe social, formação intelectual ou identidade de gênero, sofremos os mesmos tipos de violência”, diz Josineide.
Ainda nesses encontros, o Coletivo defende políticas públicas mais eficazes para as mulheres, como delegacias 24 h, creches, etc. “O papel é somar ideias, fiscalizar e denunciar toda forma de violência e discriminação contra a mulher. Repudiar a forma como são elaboradas as leis, especialmente a que as proíbem de ter direito sobre seu corpo”, argumenta.
Diante desse cenário, o dia 8 representa ainda mais desafios. “Enquanto houver violência contra a mulher a cada segundo, não temos o que comemorar. Empoderamento é palavra de ordem”, destaca.
Mercado de trabalho
Esse empoderamento, para as mulheres do Coletivo, está ainda mais distante quando se fala em mercado de trabalho. “A crise afetou muito, principalmente a nós. Houve precarização e demissão, mesmo a maioria de nós sendo chefes das família”, critica Franciele.
Para tentar mudar essa realidade, a União Geral dos Trabalhadores e a Federação dos Empregados no Comércio e Serviços de Sergipe iniciaram uma grande campanha em defesa das mulheres.
“Ainda há muito a ser feito para acabarmos com as diferenças salariais de gênero e a desigualdade de oportunidades, a baixa representação das mulheres em cargos de liderança, a violência desenfreada e outras violações contra as companheiras trabalhadoras no mercado de trabalho”, declara Ronildo Almeida, presidente da UGT e FECOMSE em Sergipe.
A União e a Federação realizaram panfletagem em Aracaju durante toda a tarde de segunda-feira, 7. Na terça, 8, junto a outras centrais sindicais e sindicatos, promoveram uma passeata com atos públicos na frente da Assembleia Legislativa e Câmara Municipal, terminando na praça General Valadão.
O Coletivo
Segundo Franciele Gazola, a ideia do Coletivo Mulheres de Aracaju surgiu depois da primeira Marcha das Vadias que foi organizada no Estado, como protesto contra a violência.
“A gente viu que as mulheres daqui enfrentavam o mesmo tipo de problema, que queriam mais espaço, que queriam participar dessa luta por mais igualdade nos salários, nos trabalhos domésticos, e na problematização dos relacionamentos”, conta.
Hoje, lutam pelos direitos de milhões de mulheres; para que possam, em uníssono, fazer com que o empoderamento reverbere – e não só através das vozes femininas – na sociedade.



















