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Lagarto: 145 anos de cidade de uma síntese de mais de quatro séculos de história
20 de abril de 2025 - 08:00, por Marcos Peris
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
As terras lagartenses têm sua origem no processo de colonização do Brasil, na segunda metade do século XVI. Mais de perto, por ocasião da Conquista de Sergipe por Cristovão de Barros, em 1590.
Fazia parte de sua tropa que venceu a brava resistência dos povos originários, Tupinambá, o militar português Antônio Gonçalves de Santomé, filho de Cristovan Lagarto. Daí a razão do nome embrionário de nosso lugar. Embora, por anos, também há quem defenda a tese de uma pedra em formato de réptil.
Como paga pela colaboração na conquista dos domínios sergipanos, Antônio Gonçalves de Santomé recebeu uma sesmaria (extensa propriedade de terra, cujas fronteiras faziam divisas com a Bahia, incluindo alguns municípios atuais, a exemplo de Simão Dias e Riachão do Dantas).
Rota de fuga e esconderijo de escravos afrodescendentes fugidos, Lagarto esteve entre os primeiros territórios de Sergipe a terem postos militares e Câmara. Por essa razão, não fazia sentido se comemorar emancipação política por ocasião do aniversário da cidade, cuja elevação a esta condição, aconteceu no dia 20 de abril de 1880.
Antes disso, seu primeiro núcleo populacional foi o povoado Santo Antônio, fundado em 1604. Depois disso, Vila de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto, a partir de 20 de outubro de 1698. Data esta hoje celebrada como o Dia da Lagartinidade.
Vale salientar, que invocação à Nossa Senhora da Piedade deu-se em razão da cura de uma moléstia que os primeiros habitantes sofreram, logo nos primeiros cinquenta anos de existência do povoado Santo Antônio.
Assistida pelos Carmelitas de Palmares (hoje, Distrito de Riachão do Dantas), a população se curou e os religiosos atribuíram a melhora à Virgem Maria. No dia 5 de setembro de 1679, uma belíssima imagem de Nossa Senhora da Piedade, em madeira, escultura portuguesa, chegou a Lagarto. No mesmo ano, no dia 11 de dezembro, foi criada a Paróquia que levou o mesmo nome da santa.
Tendo sido um dos primeiros distritos militares de Sergipe, paróquia, vila e de ter a condição de possuir Câmara Municipal e até mesmo Comarca, nunca se emancipou de qualquer território, portanto, jamais fora emancipada.
Ao longo de quatro séculos, as antigas terras do Lagarto prosperaram graças, sobretudo, à sua principal vocação econômica: a agropecuária. Para além de berço de grandes nomes da intelectualidade brasileira, a exemplo de Silvio Romero e Laudelino Freire, também é lugar fértil para manifestações artísticas, notadamente, no campo da cultura popular.
Lagarto alcança o século XXI como nasceu: pujante e com os olhos atentos para o futuro. Povo acolhedor, trabalhador e fervoroso, celebra a vida, seja no frescor da poesia, da educação e da cultura, seja na labuta diária, em busca de desenvolvimento, bem-estar, justiça social, salvaguarda de sua memória histórica e dignidade.


























